Toinho Soares é o cara mais fanático do mundo por o tal do microfone. Ele apresenta um programa de forró na Rádio Pajeú chamado “Crepúsculo Sertanejo”. O danado já foi cantor de forró, chamador de bingo, motorista de carro de som e até apresentador de pastoril.
Onde tiver um microfone Toinho entra noite à dentro. É como jogador de baralho que esquece do mundo quando está naquela mesa fedorenta, rodeado de fumantes ativos que vão ao banheiro, fazem suas necessidades, não lavam as mãos e pegam nas quadradas o dia inteiro. Por isso que as cartas fedem mais do que suvaco de aleijado.
Mas vamos deixar isso de lado e falar do que interessa. Afinal quem deve falar sobre mesa de jogo de baralho são os próprios jogadores que na maioria das vezes vendem até as cuecas para arriscar no jogo. Coitado de um primo meu chamado Hermes Pinheiro. Já teve muito prejuízo, mas hoje afirma que está libertado da tentação.
Certa feita, Soares recebeu no início do Programa Crepúsculo Sertanejo, que começa às 16h uma nota de falecimento de uma senhora que havia batido as botas no Sítio São João, município de Afogados da Ingazeira.
Distraído com tantos comerciais, ele mandou abraço até para Marco Bundinha que estava em Brasília trabalhando de entregador de panfleto em frente às lojas. Por falar nisso ele tá aí na boemia e com bufunfa no bolso. Ainda ontem o galã brasilense estava conversando com Biu Calcinha na calçada de Zé Marcolino, tratorista véi aposentado.
É característica do locutor em tela, mandar alô pra toda matutada desses sítios. Logo o febrento cantou na banda de Ismael Galdino e conhece uma porrada de gente na zona rural. Mandou alô pra cá, pra ali, pra aculá, e tome o tempo passando...
Quando deu por conta de que a nota de falecimento da véia estava em baixo das outras, Toinho ficou bastante aperreado, olhou para o relógio e atordoado leu o aviso na maior rapidez, só que o sepultamento estava marcado para às 17h e quando ele estava anunciando a morte da véia Chica, o relógio já marcava 17h15. Sem ter percebido que o horário havia estrapolado e o caixão já havia sido conduzido ao Parque da Saudade Toinho falou:
- São cinco horas e quinze minutos. Estamos apresentando o Programa Crepúsculo Sertanejo! E atenção para esta nota de falecimento. Os familiares de Maria Francisca de Souza, conhecida como Chica de Zé Moraes, avisam que a mesma faleceu ontem à noite e convida todos para o seu sepultamento que será hoje às cinco horas no Cemitério Parque da Saudade. Ô sepultamento no grau, minha nossa, o corpo já saiu? Corra que ainda dar tempo pegar, acho que o caixão ainda não chegou ao cemitério!
E assim "No Grau" se saiu bem nesta nota de falecimento divulgada quinze minutos após a saída do corpo com direção ao cemitério. Me pediram para registrar nos meus causos & contos. E eu atolei de cá!
sexta-feira, 24 de abril de 2009
A nota de falecimento lida por Toinho no Grau
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
Bartó de Lia, o orador de Lúcio André
Ela organiza a forma de vivermos juntos, produzirmos e distribuirmos os bens. No início, um ou outro político entra no ramo movido por um ideal. Uma vez que ideal é paixão e esta é fogo de palha e por isso dura pouco.
Todo mundo já foi enganado por algum político inclusive você, não se faça de engraçadinho ou engraçadinha. Será que eu não sei as falcatruas e o que o político pode criar ou inventar para passar a perna no próximo.
Ah, mais vamos ao que interessa, já basta tanta embromação por parte do governo municipal em relação às indicações de cargos em Afogados, já tem nego em tempo de engolir o barão vivo de tanta raiva.
Certa feita, Lúcio André foi incentivado pelo pai a concorrer uma vaga na Câmara de Vereadores. A princípio ele engatou logo uma ré e falou ao seu pai o Dr. Dionísio Almeida:
- Papai, não adianta eu inventar isso se eu não sei falar em palanque. Deixa isso pra quem sabe e gosta da coisa!
Dionísio que queria o filho na política a todo custo respondeu:
- Não se preocupe meu filho, aculá tem um orador bom e eu vou contratá-lo para falar por você nos comícios, trata-se de Bartó de Lia, um pescador desenrolado da molesta!
Aí Lúcio André se animou e aceitou ao convite do velho:
- sendo assim, eu vou para o sacrifício papai, mas me fale logo o que é política, que eu tô como cego em tiroteio.
Com uma resposta simples Dionísio deixou Lúcio André pronto para encarar os demais candidatos:
- meu filho ser político é fácil, é só forçar o sorriso, abrir os dentes demonstrando está alegre, dar aperto de mão até em tuberculoso e dizer sempre, sim vou ver o que posso fazer por você!
Registrada as candidaturas, Bartó de Lia começou a falar nos palanques e defender o nome do candidato a vereador Lúcio André. Fez diversas apresentações do nome do filho de Dionísio e ganhou algumas vezes um gato pingado de aplausos.
Em comício realizado no Bairro Ezídio Leite, Bartó fez um levante da peste no nome de Lúcio André. O discurso do febrento agradava e tinha gente que dava gargalhada a bersa.
Lúcio gostava de ficar ao lado de Bartó com os dentes abertos saudando o pessoal. Ao som do microfone o pescador elogiava o candidato:
- este jovem é uma promessa da política afogadense, filho do Dr. Dionísio Almeida, um homem que tem muito serviço prestado em Afogados da Ingazeira. Lúcio carrega no coração o amor do tamanho dessa gente que está neste comício, tem muitos ideais e sonha governar um dia os destinos desta terra.
As palmas vadiavam no centro e Bartó de Lia que empolgado defendia Lúcio André de unhas e dentes concluiu o discurso e entregou o microfone ao apresentador sem ter mencionado o número do candidato.
Apavorado, ele tomou o microfone da mão do apresentador que já havia anunciado outro candidato que ia falar e completou:
- Minha gente, eu falei bem que só a peste do meu candidato a vereador, mas esqueci de lembrar o número dele pra vocês. O número de Lúcio é 14666, um, quatro e o número da besta fera!
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
Toinho de Ismael na Paixão de Cristo
Certa feita, o responsável do grupo de teatro da Paixão de Cristo de Afogados o convidou para fazer parte da peça, porém o personagem só seria avisado minutos antes da realização do primeiro ensaio. Brafuta aceitou ao convite e ficou alegre que só pinto em bosta.
Na hora do ensaio escolheram Brafuta para fazer o papel de um soldado. Todos gostaram da atuação do danado pela forma dinâmica e segura no texto, afinal seu papel seria dar chicotada em Jesus, interpretado por um tal Sidnei, parente de Zé Mendes da lotação de Carnaíba. Não era para Brafutar dar uma palavra sequer. Acho que o responsável sabia das loucuras do convidado.
Naquele tempo poucas pessoas tinham um aparelho de TV em casa, por isso nascia menino feito a peste. Hoje a mulherada casada reclama da modernidade em razão de um instrumento responsável por uma infinidade de gaia nesse mundo a fora: o ingrato computador.
Mais isso é outra história, vamos ao que interessa. No dia da apresentação da Paixão de Cristo, a Praça Arruda Câmara estava tomada de canto a outro, inclusive com muitos expectadores da zona rural que adoravam assistir ao espetáculo.
Várias cenas foram representadas por atores locais, mas nenhuma chamou tanta atenção como à de Brafuta chicoteando Jesus. O responsável pela peça deu a cada um dos soldados um chicote de couro fino que deveria ser usado de forma figurativa.
Mas o Brafuta já cheio das biritas olhou para as costas de Sidnei e desceu a chibata pra cima, assim como se dar em um jumento ruim de cangaia. O Jesus fazia ar de dor a todo instante, mas o público pensava que era apenas a parte dramática interpretada pelo ator. As lágrimas caiam dos olhos e ele não via a hora daquela triste cena acabar.
Um rapaz que estava perto do Jesus ficou admirado com a cena e comentou com o amigo:
– rapaz esse cara nasceu pra ser ator! Olha para o rosto dele, tá saindo lágrimas de verdade.
Sem estar nem aí pra vida, Brafuta descia o chicote com toda força nas costas do Cristo e gritava em alta voz, sem ter nada a ver com o texto, afinal o infeliz não tinha autorização pra falar absolutamente nada:
– mardito ruim, Jesus de verdade era bom, mas tu não vale nada e só merece cacete! E tome chicotada.
Nisso Sidnei sem agüentar mais tanto cacete no lombo falou pelo canto da boca, fí da peste, quando eu sair daqui tu vai me pagar, aguarde!
Quando acabou a apresentação, Brafuta ainda vestido de soldado se abufelou com Sidnei na vera, como diz o matuto e foi taco de roupa pra todo lado.
Os outros personagens entraram pelo meio, apartaram a briga, e eu estou registrando isso hoje dizendo que foi um fato real.
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terça-feira, 21 de abril de 2009
"Pelado" no Independente de Pedrinho
Num domingo desses a equipe do Independente de Pedrinho foi se apresentar no Povoado de Itã, município de Carnaíba.
Os peladeiros daqui têm o costume de ficar nas beiras de pista esperando algum carro, seja o time que for para brincar dentro das quatro linhas, é o chamado “pega na rua”.
Pois bem, tem um jogador no Bairro da Ponte por nome de Pelado, o bicho é ruim que só a palavra “teje preso’. O infeliz aguardava no bendito dia, um carro desses pra jogar, aí por arto do capeta ele subiu na F-4000 que levava o time do Independente.
O peste foi recebido com muito carinho, mas na hora do espetáculo no pedregulho da Itã andou aprontando algumas. Por pouco não arranjou uma briga com um matuto e quando acabou o jogou encheu o tolé de cachaça. O Independente empatou em 0x0 com o Juventude, por sinal eu participei da tarde esportiva jogando no segundo quadro. Aposto que se Aldo Vental ver isso vai tirar onda, mas ele também jogou aspirante o tempo todo...
Pedro Marcelino sempre gostou de fazer animação durante as viagens em cima das carrocerias ao som de um pandeiro, de um triângulo e de uma zabumba. As músicas eram bastante manjadas e a galera tava arretada de tanto ouvir, o Pano de Coar Dentro, Adalgisa, e a música intitulada Mané de Louro...
Na volta Pedrinho inventou de cantar e desafinado que só a gota serena lascou o pandeiro pra cima acompanhado dos outros instrumentos. Uma meia dúzia gostava e até soltava a voz timidamente, pois as músicas eram conhecidas de tanto o danado cantar.
Pelado, como já falei ruim que só germe de porco na tua cabeça, tentou tirar umas com Marcelino e começou a gritar no meio dos jogadores tirando a concentração nas músicas. A estrada já escura e várias vozes acompanhando Pedrinho, aí o desgramado aproveitou com uma voz fina, até então desconhecida.
- Isso é uma porcaria, beeeeeeeeeeeeeeeeeee!
Era cada berro que até quem estava na cabine ouvia.
Ao se sentir incomodado Pedrinho bateu no vidro do carro pediu que parasse e advertiu – alguém está com gracinha aqui atrapalhando minhas músicas, se eu descobrir vou botar pra descer!
O carro seguiu novamente, mas a poucos metros Pelado deu outro berro. Pedrinho bateu no vidro e pediu que o motorista parasse novamente. Aí novamente fez as mesmas recomendações e avisou que ia colocar o engraçadinho pra descer do carro. Mas nenhum deles acusou-se.
Novamente o motorista deu na chave e meteu o pé no acelerador com tanta indignação que a fumaça subiu na escuridão... Nisso, Pelado deu outro berro aproveitando a raiva do motorista que estava apressado para assistir a missa com padre João carlos Acioly, vigário de Afogados na época.
Impriquitado Pedrinho gritou – para esse carro aí motorista, que eu quero descobrir quem é este palhaço!
O motorista lascou o pé no freio que foi suvaco fedorento pra todo lado. Os cabras todos suados depois do jogo; tava uma carniça triste. Voou garrafa de cana de toda espécie por cima do gigante.
Sem agüentar mais, Pedrinho perguntou aos jogadores: – nós viemos para o jogo em paz?
Aí todos responderam – sim viemos!
Novamente ele perguntou – nós estamos voltando para casa em paz?
Aí quando chegou nesta parte Pelado gritou lá do fundo da carroceria – pois não padre Marcelo Rossi!
Aí Pedrinho retrucou – O palhaço é você mesmo, bora desça do carro e pode ir a pé pra você aprender!
O jogador desceu e tirou a pé da Itã até o bairro da Ponte onde se esconde.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
No Tribunal do Júri com um Réu Enfezado
Por Gilberto Moura (Advogado)
Certa feita, em viagem de férias a Pernambuco acompanhado de meus filhos, então pequenos, depois de três pernoites e 2600 quilômetros de buraqueira, enfim cheguei à casa da parentada mais morto que vivo, mas contente, pois tinha pela frente 15 dias de vadiagem da mais alta qualidade.
Acomodei as crianças e antes de tomar um banho fui ao boteco de minha estimação para um gole de pinga boa e uma cerveja pra espalhar o sangue.
Estava lá de prosa quando chega um conhecido, também advogado, que me chama num canto e pede para falar comigo mais tarde, coisa importante diz ele com a voz rouca, quase incompreensível.
Expliquei onde estava "arranchado" e marquei para as 8 da noite, pois ele chegou 7:30 com as cópias de um processo criminal e foi logo abrindo o jogo:
- Preciso que você me ajude, faça essa defesa oral para mim. O Tribunal está fazendo um júri atrás do outro e eu atuei em 2 seguidos e já estou sem voz para debater e sem argumentos para esse caso, o sujeito matou por vingança de uns tapas que levou da vítima e vai pegar uns 30 anos mais as qualificadoras.
Tentei tirar o corpo fora mas não foi possível, falei pra ele arranjar um atestado médico e adiar o júri, ele disse que se fizesse isso o cliente ia ficar preso mais um ano pois só seria julgado na temporada de júris do ano seguinte. Resumindo, resolvi ajudar o colega a descascar o abacaxi.
Fiquei com as cópias do processo para estudar e marcamos de ir ver o preso pela manhã. Lá chegando ouvimos a versão dele da história e fiquei apavorado, o danado se vangloriava abertamente de ter mandado a vitima pras calendas. Então passei a aconselhar quanto ao comportamento durante a sessão, ou seja, tratar juiz e promotor de excelências, cabeça e voz baixas, ar de arrependimento, etc.
No dia seguinte foi o julgamento.
No interrogatório ele se comportou muito bem, falou de sua vida de homem honesto, trabalhador, pai de família, etc.
Nas perguntas do promotor também, fiquei animado achando que o representante da acusação tinha "comprado" e realmente tinha a história de bom mocismo.
Na pergunta final, o promotor, talvez querendo facilitar a atuação da defesa e a vida de pessoa tão boa, perguntou:
- Senhor Fulano de Tal, o senhor se arrepende de ter matado o senhor Sicrano?
O danado respondeu, quase gritando:
- Olhe excelência, eu nunca pensei em matar ninguém na minha vida, mas se aquele cabra safado nascer de novo e bater na minha cara outra vez, eu mato!
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sábado, 18 de abril de 2009
A cantoria de Miguel Espinhara em Santa Rosa
Tinha deles que andava de sapato alto. Era igual a bancário, antes do governo Collor. Quando a rádio anunciava, o poeta Mané de Soiza, estará se apresentando no Sítio Leitão, a macacada ficava dando sarto de alegria. Aparecia gente até de um olho só. O cantador brilhava em noites escuras neste Brasil a fora...
A atividade do repente já foi bastante valorizada. Surgiam novos valores e havia mais incentivo por parte da imprensa e dos poderes públicos municipais. Mas hoje quem diria, está em extinção... Surgiu banda de forró de toda espécie, motivado pelo mau gosto do público.
Pois bem, vamos ao que interessa isso aí é um assunto para Alexandre Moraes e outros Secretários de Cultura da região resolver. É necessário utilizar o poder de conhecimento, mostrar, provar, justificar, que a poesia deve ser vivenciada no nosso dia-a-dia.
O poeta Miguel Espinhara, foi fazer uma cantoria no povoado de Santa Rosa, zona rural do município de Ingazeira. Chegando lá um dia antes, foi recebido por um velho ignorante da peste. Chegou à hora do almoço e não saiu nada para o poeta. As tripas do infeliz roncavam mais que o motor do Carro de Som de Marconi Edson.
Sem suportar mais a fome Espinhara olhou pro velho e falou – fome né? Já são duas horas e até agora só engoli poeira. Ao ouvir as palavras do poeta, o velho foi lá dentro, acendeu o fogão, fez um cafezinho e trouxe ainda um prato com dois bolinhos de caco dentro. O poeta comeu e lambeu o beiço à vontade.
Mas ele aguardava uma noitada com um prato cheio de cédulas gordinhas... O salão lotou de matuto, era um fedor de macaco morto a tapa da desgraça, e o pior é que os tristes estavam lisos que só bucho de traíra. Mas miguel lascou a viola pra riba e tome aplausos!
Antes de terminar a cantoria, o dono do salão chegou próximo ao ouvido de Miguel e disse que a coisa tava preta, ou seja, o dinheiro do apurado não dava nem para pagar o transporte. Ele ficou furioso com o recado do anfitrião. Olhou para um lado, olhou para o outro e com um tom de doer o pé dos ouvido dos matutos terminou:
Vim cantar em Santa Rosa,
Aqui não presta pra quem canta,
Passei o dia inteirinho,
Sem almoço e sem janta,
Não senti o cheiro da flor,
Nem o milagre da Santa.
Aí a matutada sem perceber bateu palma que abalou o salão.
Lembrando que o fato em tela contado por Itamar França aconteceu de verdade, na vera, como diz o caipira.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
O Soldado Ubaldo no Casamento de Arinéia
Bem no inicio dos 70 tinha um cabra da Igrejinha que apreciava ganhar uns trocos como "promotor de eventos" o que naquela época equivalia a nada mais nada menos que promover um arrasta-pé e faturar na entrada e na venda de cachaça, pois, cerveja gelada era coisa cara já que geladeira não tinha em todo canto.
O delegado de polícia era o Tenente João Gomes, da estirpe dos Jurubeba de Nazaré, atual Carqueja, entre Serra Talhada e Floresta. Só essa referência basta para indicar o "modus operandi" do doutor delegado, bem diferente dos superdelegados pimpões, proibidores de chibatas e tabaqueiros que tem aparecido hoje em dia.
Sabedor do terreno em que estava pisando, o já citado "promotor de eventos" compareceu à Delegacia de Policia onde foi atendido por Coligado, escrivão de oficio e tocador de tuba da Banda Pe. Carlos Cottart, onde soprava as mágoas de uma desilusão amorosa sem remédio.
O promotor de eventos se apresentou como pai de uma donzela chamada Arinéia e queria uma licença oficial para promover o forró comemorativo do enlace matrimonial da suposta noiva. Não era sempre que o tenente estava na delegacia e Coligado, mediante pequena taxa, equivalente a um quartinho de branquinha no bar do Coreto, concedeu o documento.
Ocorre que tudo isso era apenas artimanha do forrozeiro pois se assim não fosse, essa Arinéia casou tantas vezes quanto Fátima Costa completou 18 anos, eu mesmo estive em pelo menos 4 desses aniversários regados a Fanta laranja e licor de abacaxi.
Toda semana, mediante a taxinha, Coligado expedia uma licença e Arinéia comemorava o casamento num forró de lascar a tampa da chaleira.
Todo fim de semana tinha "casamento de Arinéia" animado pelo sanfoneiro Zé de Neco, com Nego Ciço do São Braz no pandeiro e o zabumbeiro Zé Gojoba, mas o Gojoba original, não esse falsificado que anda por ai.
Acontece que forró vira forró-bó-dó com a maior facilidade do mundo e num desses dias, no mais animado da festa, estourou uma confusão com um caboclinho do Borges, filho de uma senhora chamada Maria Muniz, que tinha tarimba no açougue municipal onde vendia carne de porco e embutidos suínos como lingüiça e chouriço de artesanal fabricação familiar, ou seja, o filhinho dela sabia bem manejar uma peixeira.
Mesmo estando em desvantagem, pois estava só, o caboclo enfrentou a confusão, e já tinha riscado a barriga de 2 ou 3 quando chegou a lei e a ordem personificadas no soldado Ubaldo de Zé de Borges.
Quem conheceu o soldado Ubaldo naquela época, e eu conheci, pois fomos colegas de escola, eu iniciando o ginásio e ele concluindo, sabe que Ubaldo mesmo com farda e armamento completo mais matulão e munição para 15 dias não passava de 50 quilos, tinha assim um porte de Marco Maciel depois da dengue, mas era querido e respeitado por todos, inclusive pelo encrenqueiro filho de Maria Muniz, que imediatamente parou o risca-faca e entregou a lambedeira de 10 polegadas a Ubaldo, que a pediu com aquela mansidão que lhe era característica:
Disse Ubaldo - Menino, esteja preso, me dê essa faca!.
Ao verem o oponente desarmado, a cabroeira frouxa e covarde partiu para cima do rapaz para o revide ou até para um linchamento o que Ubaldo, o guardião da ordem e da integridade do preso, repeliu prontamente:
Disse Ubaldo - Menino esteja solto, tome sua faca!
A cabroeira toda, ao ver o caboclinho de lambedeira na mão de novo recuou apavorada, e Ubaldo, calmamente, sem ter sequer tocado no seu revólver, com a mão no ombro do "menino" e este de faca empunhada, foram embora para o Borges, onde Ubaldo deixou o "preso" em casa e devolveu a faca ao ferramental de Maria Muniz.
Na segunda feira, ao saber do acontecido, o tenente João Gomes mandou chamar o forrozeiro e depois da conversa Arinéia nunca mais "se casou", mas Fátima Costa completou 18 anos mais algumas vezes, mas isso é outra estória...
Enviado Por Gilberto Moura
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
O soldado Galvão no desfile de Salgueiro
Nêgo Galvão já pintou presepada de toda espécie na Polícia Militar do Estado de Pernambuco.
O policial já passou por quase todas as unidades do interior e também da capital. O desgramado é chamado pela tropa de “Alma Cebosa”.
Vez por outra um companheiro o encontra e o cumprimento é feito desta forma – Fala alma Cebosa!
E o negão responde de lá – fala calça cagada!
Ele gosta mesmo da gaiatice.
O bicho é um comedor de bola daqueles. Já comeu toco até num desfile de sete de setembro.
Certa vez em Salgueiro, Alma Cebosa participava de um desfile da gloriosa, no dia sete de setembro e, realizou um ato inusitado em toda história da polícia, desde sua criação.
Praças e avenidas da cidade estavam tomadas de expectadores, pois já passava o desfile de escolas públicas e particulares, Tiro de Guerra, Corpo de Bombeiros, e Polícia Militar, este último o mais aguardado pela multidão.
Em todos os desfiles da data comemorativa da independência, a polícia militar sempre se apresenta no último pelotão. Dado ao som psicodélico das cirenes, do desfile enérgico dos policiais e principalmente pela instituição respeitada por combater o crime em diversas circunstâncias.
Na fileira próxima ao povo estava o soldado Galvão. Na parada para o “marcar passo”, o negão matreiro no assunto, olhou para o lado e, no meio da multidão visualizou um velhinho, de chapéu de couro na cabeça e um cigarrão pacaia no bico.
Desconfiado, como quem está roubando, ele olhou para o velho e pensou: - a fisgada vai ser no peste deste matutão.
E não deu outra, assim o fez.
A tropa ainda estava no marcar passo, pés em cima, pés em baixo, chão tremendo, policiais vibrando, e nesse intervalo acontece o episódio, outrora inédito nos desfiles realizados por este sertão a fora.
O negão com a palma da mão espalmada para baixo, olhou bem no olho do velho e falou: - ei véi, deixe o dinheiro do refrigerante do praça. Bota aqui entre os meus dedos.
O velho ficou olhando para o dito cujo, mas ainda na incerteza, fez sinal, porém o danado relembrou – É o senhor mesmo, tô cum uma sêde
da porra, bora véi deixa o refrigerante do praça, num tais vendo eu fazer graça pra tu!
O velho imediatamente tirou do bolso cinco reais e colocou entre os dedos do negão. Poucas pessoas viram a inusitada cena.
Já imaginou você ganhar uma bolinha em pleno desfile? Pois é, aconteceu em Salgueiro e não é mentira não, não, não...
Que saco, o povo parece que não acredita!
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sábado, 11 de abril de 2009
O show de Pedrinho do Independente e Evanildo Mariano no Sítio Alto Vermelho
De reforço convidou Pedrinho do Independente juntamente com sua banda, formada na época por Evanildo Mariano, Ailton Zefa Doida, Nêgo Mita e Darésio Aristeu. Pois bem, Samuel fretou a rural do finado Augusto e danou-se para o Alto Vermelho, não ia perder a oportunidade de ver e apresentar Mansueto de Lavor.
Quando chegaram ao local, Samuel agarrou-se logo no microfone e em plena tarde falou – bom dia a todos, daqui a pouco teremos o início do grande comício neste lugar e show com Pedrinho Jogador de Bola e sua Turma, o fenômeno do Pajeú que faz estravagança no pandeiro.
As poucas pessoas que lá estavam, de cara ficaram de orelha levantada com a voz fina e trêmula do apresentador. Daí a pouco ele dar outro canja no microfone – vocês vão assistir a um lindo espetáculo com a turma de Pedrinho, que tem Nildo Mariano no reco-reco, Ailton Zefa Doida no triângulo, Nêgo Mita nos pratos, Darésio nos Copos e Marcelino no pandeiro.
O povo que esperava uma banda de grande porte ficou aborrecido e bem antes de acabar o comício foi embora. Samuel novamente deu de posse do microfone e pediu ao pessoal que ficasse para assistir ao show de Pedrinho, mas de nada adiantou. A turma foi embora, mas ficou três bêbados moedo do lado da F-4000 que serviu de palanque.
Quando viu que não ficou praticamente ninguém para assistir ao show de Pedrinho, Samuel saiu de fininho e pegou o beco. Chamou seu Augusto e retormou para Afogados num toque de mágica.
Ailton Zefa Doida, já bicado, falou a Nêgo Mita – rapaz vamos dar uma tocadinha, assim a gente não sai daqui tão queimado.
Quando pegaram no microfone e Pedrinho começou a tocar o pandeiro, Marconi Edson saiu de lá e já veio enrolando os fios para desligar o carro de som. E gritou alto em bom tom – pára pelo amor de Deus, vocês não tem autorização, isso não é música de se tocar em sítio, o povo daqui é ignorante que só a peste e meu contrato terminou.
Arretado, Pedrinho parou o pandeiro e falou a Marconi que fora convidado por Samuel Ernesto. Nisso vinha passando uma mulher feia da desgraça por perto do palanque, o cabelo arrepiado feito a gangrena, parecia uma furquilha com um um enxu de arapuá no meio. Ai o Pedrinho tocou o pandeiro e cantou – o leão está solto na rua...
Marconi deu uma popa da brucuta e pediu para o desportista parar de cantar no carro de som dele, porque os irmãos da mulher eram valentes.
Os outros já lascados, sem carro pra voltar e bravos com Marconi, concluíram a música de Pedrinho ao toque do pandeiro e reco-reco – pega na mentira, pega na mentira...
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Sonho afogadense
O barbeiro Elesbão também acalentava este sonho.
Inúmeras vezes foi candidato e como muitos fazia sua campanha populista ao seu modo, ou seja, cortando cabelos de graça, mas nunca passou de último suplente, uma única vez.
Numa dessas eleições também foi candidato Antônio Izidio, vice-rei do Bairro da Ponte e do Costa e discursador oficial em todos os sepultamentos daquela época no São Judas Tadeu.
Quem como eu tem mais de 50 janeiros, boa memória e foi a algum enterro na juventude, deve lembrar daqueles discursos pomposos onde ele citava inclusive as moedas para pagar ao barqueiro Caronte, pela travessia do rio Letes, o rio do esquecimento, que ficava na entrada do Hades, o reino dos mortos, segundo a mitologia grega.
Quando digo que Afogados já foi mais culta, tenho minhas razões.
Mas voltando à eleição para vereador:
Elesbão era mais uma vez candidato e Antonio Izidio iria estrear na politica afogadense com tesão de noivo e confiança em seus discursos rebuscados.
Na véspera do pleito, Antonio Izidio foi à barbearia de Elesbão para barba e cabelo e lógico, dedos e mais dedos de prosa boa pois eram amigos muito chegados.
Ao chegar encontrou Elesbão terminando de cortar o cabelo do filho mais velho de João Limeira que na época deveria ter uns 12 ou 13 anos e tinha o vício de observar e escutar.
Terminado o corte, o menino ficou por ali folheando revistas O Cruzeiro de meses passados e de ouvidos antenados.
Antonio Izidio sentou na cadeira, Elesbão lhe colocou os paramentos e começou a preparar a navalha Solinger e a espuma Bozzano. Enquanto isso começa o bate-papo:
Disse Elesbão - Veja só Izidio, estou sabendo que você é candidato também e queria lhe fazer uma proposta.
Responde Izidio - Se a proposta for boa...
Elesbão - Pela lei eleitoral, o candidato não pode votar nele mesmo e nem a esposa pode votar no marido senão o voto é impugnado pelo Doutor Demócrito.
Izidio resmunga - Tá danado! E eu mais Orora (Aurora) vamos votar em quem? Vamos perder os votos?
Elesbão dá a solução - Vocês votam em mim e eu e minha patroa votamos em você e assim o Doutor não impugna voto nenhum.
Izidio desconfia - Mas isso é certo mesmo?
Elesbão responde - Se não acredita, pode ir perguntar ao Doutor Demócrito.
Izidio se rende - Precisa não, o doutor pode se aborrecer, estamos combinados.
Passada a votação, as urnas são todas depositadas no ACAI, sob guarda da policia para apuração no dia seguinte.
Concluída a apuração, Antonio Izidio não teve um voto sequer e indignado se encheu de coragem e foi perguntar ao Doutor Demócrito sobre a tal proibição de candidato votar em si mesmo e esposa votar no marido.
Depois da explicação do juiz, Elesbão que teve 4 votos e não pegou nem mesmo suplência, perdeu o freguês e o amigo e encerrou sua "carreira politica".
Texto do Advogado Gilberto Moura
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A carreira de Marconi Edson
O Guarani empatava em 0x0 com o Ferroviário. O estádio estava lotado de torcedores e Marconi Edson estava na Rádio Pajeú trabalhando na técnica de som. No finalzinho do segundo tempo o narrador do jogo com um vozeirão de fazer inveja falou:
-São decorridos 40 minutos do segundo tempo. O placar está escrito zero para o Guarani, zero para o Ferroviário, um espetáculo de muitas emoções. Com a marca dos nossos patrocinadores, vem de lá Marconi Edson!
Não deu outra, ele saiu da emissora numa carreira que nem Rubinho Pé de Chinelo pegava. Enquanto isso Gilberto virado na gota serena não parava de narrar o jogo e já não tinha mais fôlego porque a técnica de som não estava ajudando. Você sabe, vez por outra eles colocam os comerciais e informes esportivos, porque se assim não o fosse não tinha locutor que agüentasse.
Minutos depois para a surpresa de Gilberto Santos, Marconi Edson chegou lá, suado, com apenas um sapato no pé, acenou para o narrador com as mãos abertas: - o que é que você quer Gilberto, diz logo que deixei a rádio sozinha, vim numa carreira da desgraça!
Aí Gilberto fumando numa telha, ao som do microfone detonou: Confira comigo tempo e placar de bola em jogo! São passados 44 minutos de jogo no placar, zero para o Guarani, zero para o Ferroviário. Por aqui a presença de Marconi Edson, o controlista de som mais bisonho do rádio brasileiro. Volta pra rádio Marconi que teu lugar não é aqui. Mais tarde a gente conversa condenado!
Marconi ficou furioso com Gilberto e retornou a emissora num piscar de olhos. Quando se fala neste assunto ele dar a peste com Aldo Vidal e Francys Maya.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
O cavalo relâmpago de Neco Amâncio
O fazendeiro Neco Amâncio, pai do sanfoneiro Zé de Neco, tinha um cavalo maravilhoso, grande, alto, de porte imponente e domado no andar a trote de fazer inveja aos melhores criadores e domadores e admiração aos, como eu, menino ainda, leigo em cavalos e doma.
O nome do cavalo era Pombo Roxo. Todo sábado havia até uma certa expectativa entre a molecada da Rua Manoel Mariano, onde morava o filho de seu Neco, para ver ele chegar de Dois Riachos montado no Pombo Roxo.
De longe se ouvia o bater de cascos compassados do cavalo a trote, ou seja, sempre mantendo uma das patas no chão, resultando assim num andar mais confortável para o cavaleiro que não é sacolejado para cima e para baixo como no galope.
Se não bastasse tanto, havia ainda os arreios de Pombo Roxo, peças preciosas da arte em couro, feitas a capricho por Vicente Celeiro, pai do nosso amigo futebolista Martinho Souto. Eram rédeas, sela, bridão, buçal, peiteira, finamente trabalhadas e com adereços de prata pura.
Tudo aquilo inflava o ego do sertanejo Neco Amâncio, de trato rude e severo, mas que se desmanchava em açúcar diante do menor elogio ao seu cavalo.
Um belo dia Seu Neco levou um rádio para meu pai consertar.
Deixou de manhã e retirou à tarde, o conserto foi simples e meu pai tinha a peça em estoque.
Como gastou mais do que esperava com as compras e as bicadas, deixou para pagar no sábado seguinte, o que não era problema nem novidade para um homem de palavra e com crédito sem limites onde quer que fosse.
No sábado seguinte chegou Seu Neco para pagar o conserto do rádio e um dedo de prosa com Limeira, o meu pai.
Disse Seu Neco - Sabe Limeira, sábado passado me demorei na conversa com Antonio Izidio lá perto da ponte e já na metade do caminho começou a escurecer e ameaçar uma chuva.
Fiquei pensando em não molhar nem as compras nem o rádio e fiquei vigiando aquele nevoeiro vindo na minha direção.
Apertei o passo do Pombo Roxo e a chuva veio vindo e eu apertando o passo e a chuva vindo. Sentia o cheiro da bruta molhando a poeira da estrada e Pombo Roxo sereno no passo.
Prá encurtar a conversa, quando cheguei na fazenda, tinha molhado somente a garupa.
Texto do Advogado Gilberto Carvalho Moura
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A caixa d’água do Nêgo Trojão
Dona Cecília Preta, avó do Nego Trojão, resolveu fazer uma caixa d’água em sua casa e dar um basta no chamado “banho de cuia”. Naquele tempo quem tinha um banheiro com caixa d’água era rico, por isso dona Cecília comemorava.
Para explicar melhor, a citada personagem foi uma senhora muito conhecida que morou no Bairro São Braz por muitos anos e gostava de criar cabras, galinhas e porcos. Era muito gentil e fazia muitos favores no citado bairro.
Nêgo Trojão, é filho de Dedinho e consequentemente neto de dona Cecília. Já inventou de fazer tudo nesta vida para ganhar dinheiro, claro honestamente. Atualmente é policial militar em São Paulo.
Ocorre que ele ficou responsável de construir o reservatório da avó. Pegou o dinheiro para comprar o cimento e no caminho um colega lhe falou que barro vermelho servia, era forte e gastava menos. Dali ele já saiu destinado, comprou uma carroça de barro, uma de brita, uma de areia, e misturou com dois quilos de cimento. Pronto, estava pronta a caixa d’água de vovó!
A caixa fora construída para comportar 12 latas d’água. Logo os vizinhos se juntaram e começaram a encher a dita cuja. Assim que colocaram três latas, o vermelhão do barro começou a escorrer pelas paredes, aí um dos vizinhos falou:
- Dona Cecília esta caixa está sem confiança, olha o barro vazando pelas paredes!
Mas ela pouco deu atenção, porque a obra tinha sido construída pelo neto e mandou que a enchesse, porque queria inaugurá-la na mesma noite com um banho.
Quando chegou à sexta lata, ela inventou de olhar o banheiro e verificar a advertência maluca do vizinho. Não deu outra meu amigo, a caixa caiu em cima dela e logo o camarada que a tinha avisado do perigo gritou:
- Eu bem que avisei que o barro estava escorrendo nas paredes, mas a senhora é teimosa que só sapo de banheiro, que a gente tira e o triste volta!
Um fuxiqueiro assim que viu a marmota, correu e foi chamar Trojão na casa do seu pai, Dedinho. Quando soube, o pedreirão fez finca pra casa da avó. Chegando lá assim que botou a cara na porta ela falou:
- Mas meu filho, onde já se viu fazer uma caixa d’água de barro, você ia me acabando. Tenha dó da velha, tanto que faço por você, todos os anos vendo um bicho e lhe dou uma roupa pra você sair noite de ano.
Aí o Totó respondeu tristemente: - vó desculpa, eu pensei que o barro era mais forte do que o cimento, foi um amigo meu que me recomendou. Mas eu vou lascá-lo, a senhora vai ver!
Aí a vó do Trojão concluiu: - se for falar com ele peça uma indenização, mas antes peça a seu Zé Pedra pra vir tirar a foto.
Trojão rindo disse: - como é que ele vai dar vó, se o infeliz mora no abrigo São Vicente. A senhora é que tem que dar alguma coisa a ele. E os curiosos caíram na risada...
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O UMBUZEIRO DE DONA RUTH CARDOSO
Do Umbuzeiro se aproveita quase tudo, os seus frutos são consumidos in natura, na forma de geléias, doces, umbuzadas; das batatas fazem tijolos (doces). As flores atraem abelhas; as folhas são apreciadas pelo gado. Na medicina popular o chá das folhas é indicado para diarréia.
Numa viagem de promoções sociais na caatinga, eis que dona Ruth Cardoso, depois de largar seu ateísmo e empacotar a sua caridade em forma de cestas básicas, é tomada por uma visão, um alumbramento, um regalo d'olhos nunca dantes experimentado.
A primeira-dama acabara de avistar uma árvore frondosa, demasiadamente verde e encantadora no contraste com a castigada paisagem cinza e sertaneja.
- Dona Ruth, trata-se de um umbuzeiro! -, gritou o mais avexado dos xeleléus da comitiva oficial.
- Árvore ímpar, da família das Anacardiáceas, também conhecida, por estas plagas, como imbuzeiro - emendou o Rui Barbosa local, puxa-saco interestadual, renomado em Juazeiro, Petrolina e região.
Um terceiro abestalhado, disputando a oratória no coice, completou o serviço:
- Pai e mãe do sertanejo, do umbuzeiro se aproveita tudo: a sombra no mais senegalesco dos verões, o fruto e na seca brava e até a raiz quando não há mais nada para se comer.
Ainda abismada, dona Ruth ergueu a voz e disse que queria conhecer de perto, abraçar aquela maravilha, tocar o umbuzeiro.
Outros seiscentos mil bajuladores abriram caminho.
Lá se vai a Comunidade Solidária em passos largos.
Mas quando a comitiva estava se aproximando da tal árvore da família das Anacardiáceas, eis que um segurança avista um pacato sertanejo agachado ao pé do tronco.
- Peraí! E corre apressado para tentar retirar a pobre criatura que usa a frondosa sombra como latrina.
Mais que isso. Como refrigério d'alma, quase um exercício zen, uma honesta e merecida pausa cagatícia na peleja severina.
Ríspido, grosso que só papel de embrulhar prego, o segurança parte para tirar na marra o tranqüilo sertanejo da paz do umbuzeiro:
- Levanta daí, condenado, não tá vendo que dona Ruth vem chegando, miserável?!
Calça arriada, cigarrinho no canto esquerdo da boca quase banguela, o sertanejo desabafa:
- Agora lascou-se! O marido dela não deixa a gente comer e agora ela não deixa a gente cagar...
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
O sargento Pedro e a gafieira do soldado
Sargento Pedro trabalhou muito tempo no Batalhão Martim Soares Moreno em Arcoverde/PE. O bicho era ignorante que só a molesta dos cachorros, mas se reformou na gloriosa, hoje desfruta do sossego, e claro vez por outra lembra do passado na caserna.
Certo dia, a fia do véi Mané cabrinha resolveu se casar. A festa seria realizada no sítio do dito cujo. Estava programado servir um jantar para os convidados, seguido de uma tocada de forró pé de serra. O pai da noiva avisou aos convidados que iria matar seis poicos, dois pai de chiqueiro e trinta galinhas de capoeira.
O casamento estava marcado para o sábado à tarde, porém, na quinta-feira seu mané foi bater no quartel pra pedir segurança na festa. Ele até falou ao comandante que já tinha presenças confirmadas de convidados importantes, como o Delegado de Polícia, o prefeito, um juiz de menor, que na época existia, a parteira Naninha, Chico Matador de Poico, Zé Rasga Saia, João do Toiça, Tôi Sapateiro, e o tocador de gaita Dagilson Linguão.
Pois bem, o comandante determinou que o sargento Pedro fosse dar segurança na festa de seu Mané, afinal eles eram amigos e vez por outra o véi agradava o homi com uma penosa gordinha, gordinha.
Quando chegou na casa da festa, o sargento olhou para os soldados e falou: - meninos aqui a coisa parece que vai ser boa, vocês vão se arrumando por aí que eu já to de olho naquela matutinha que está escorada na varanda da cozinha.
Aí um soldado desses desenrolados respondeu: - o senhor manda chefe! Peça logo uma garrafa de pinga aí ao véi pra gente torar no dente. Mas o medroso deu um pitaco: - Vamos ter cuidado porque vai ter muita gente importante aqui, eu vi o véi dizendo ao comandante. Um terceiro retrucou: - deixa de ser besta rapaz, esse povo quando vê um taco de galinha fica abestalhado, inda mais que tem porco e bode.
Quando acabou o jantar e o pessoal se dirigiu para a sala do forró. Nisso os homi da lei já tavam cum a língua ferroada. Era nêgo chamando Jesus de Janjão e a essa altura o sargento tava virado na gota serena na língua da matuta Amélia. Os danados tiraram o chapéu da cabeça e colocaram dentro da gandola. O forró já havia começado e só se ouvia o chiado dos coturnos no salão. O sanfoneiro cantava: - É animado ninguém cochila, chega faz fila pra dançar, na entrada está escrito é proibido cochilar!
Quando pensaram que não, tava o sargento e os três sordados cada um com uma dama, dançando e arrasando no salão. Tinha um soldado que tava numa gafieira da brucuta, o suor escorrendo na cara e a farda chega tava ensopada. Numa mesa ao lado o delegado comentava com um convidado: - rapaz olha aquilo, esse cara ganha qualquer concurso de dança, eita soldado dançador da peste! Vou fazer questão de dizer ao comandante dele. Mas não precisou, porque na segunda-feira pela manhã seu Mané foi agradecer ao comandante e falou:
- Comandante, quero lhe agradecer de coração por o senhor ter me mandado aqueles policiais, ô cabras bons! Beberam pinga, comeram galinha, poico, bode e depois foram dançar. Tinha um seu coronel, que dançava tão bem que parecia uma carripêta. Se o senhor for mandar mais gente para as minhas festas mande aqueles. O sargento é uma beleza, agarrou nos beiços de Amélia minha vizinha e só sortou no final da festa. O senhor deve dar os parabéns e ele porque ele é muito cortês e namorador, a polícia tem que ter cabra macho assim. Não gosto de sordado que fica no pé de parede cum os braços incruzado olhando o tempo passar. Pois bem, lhe trouxe esta galinha e obrigado!
Assim que o véi Mané saiu da sala, o comandante chamou o sargento e seus comandados e deu uma esporro da molesta. Ainda teve um engraçadinho que respondeu ao comandante: - errar é humano coronel, principalmente quando se trata de mulher. Atire a primeira pedra aquele que não gostar da fruta! E o comandante retrucou: -cale sua boca soldado, não meta a boca onde não é chamado, estou falando com o sargento. Aí ele respondeu: - mas ele não lhe respondeu nada porque tá com a língua ferruada, o senhor não viu que ele tá bicado?
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terça-feira, 7 de abril de 2009
A entrevista do Goleiro do Pajeú em Monteiro
O time afogadense empatava a partida em 1x1 e assim que acabou o primeiro tempo um repórter esportivo, tipo Aldo Vental e Nill Patinhas procurou os jogadores do Pajeú para uma pequena entrevista. No momento Derva vinha passando perto do radialista, aí o repórter aproveitando a praticidade abriu o microfone e falou ao vivo: -Terminado o primeiro tempo da partida no placar de 1x1 eu estou aqui com o goleiro da equipe do Pajeú, time lá do Pernambuco; Derva o que você está achando do jogo?
O arqueiro afogadense respondeu: - É o jogo está bom; os dois times estão jogando um futebol equilibrado, o Pajeú mostrou que não veio pra brincar e é isso aí, vamos para o segundo tempo esperando que a gente saia com um resultado positivo.
Pra terminar o danado do repórter inventou de pedir ao goleiro para deixar as suas considerações finais: - Nós queremos agradecer a sua gentileza Derva, e os microfones da Rádio ficam abertos para suas considerações finais.
Derva aproveitou o momento e mandou um recado para a família em Afogados: - eu quero agradecer ao pessoal desta rádio e mandar um recado urgente pra minha mãe lá em Afogados da Ingazeira. Essa rádio bota lá? O radialista sorrindo falou: - claro que sim, pode mandar seu recado agora Derva!
Aí o Derva gritou no microfone: - mãe, o meu almoço que está dentro do fogão, dê a Ciçó que eu vou almoçar por aqui! Eu só chego à noite. Tchau!
E os jogadores, torcedores e radialista caíram na gaitada!
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
O protesto do vereador de Carnaíba Luiz Alberto
Pois bem, Nill Júnior astuto como é, doido pra dar um furo de reportagem sobre a votação deste polêmico projeto na terra de Dantas, ligou para cada um dos vereadores. A resposta em off o leitor sabe qual foi, afinal os danados sempre posam de bons moços para os homens da imprensa.
Luiz Alberto na época filiado ao PV de Diógenes, foi um dos vereadores que o Tio Patinhas da Rádio Pajeú havia conversado pelo telefone. O representante forte de Ibitiranga falou que estava 100% decidido para votar contra. – Isso é conversa rapaz, eu vou votar num projeto anti-democrático desse? De forma alguma, sou contra e vou articular para a população e os companheiros ficarem neste barco!
O presidente da Câmara Municipal na época Everaldo Patriota (PSB) por baixo dos panos convenceu a maioria a votar a favor do projeto dois dias antes da eleição. Alberto quando soube, fez finca pra casa de Everaldo. Chegou cansado parecendo que vinha de uma maratona de 20 quilômetros. – Everaldo como é que está caminhando a sua reeleição?
Everaldo falou: - está bem, inclusive com maioria, só falta você para fechar a votação por unanimidade.
Nem bem Everaldo fechou a matraca Luizão respondeu: - Faz tempo que estou decidido a votar na reeleição, até convenci os demais a isso! Eu bem que disse aos meninos que este projeto era interessante. Pode contar amigo, se você tiver um voto será o meu.
Nisso, Tio Patinhas já havia anunciado no Manhã Total, que o projeto de Everaldo Patriota não seria aprovado. Mas quando soube da notícia imediatamente ligou para Luiz Alberto e perguntou ao vivo: - Vereador Luiz Alberto, você como outros vereadores garantiram que não iriam votar no projeto aprovando a reeleição, o que houve pra você mudar de idéia?
Aí o vereador de Ibitiranga respondeu: - É, na verdade eu ia votar contra o projeto, mas me deu uma doidiça na hora, mudei de idéia e votei de PROTESTO.
O Patinhas ainda indagou: - que protesto vereador?
- protesto, protesto, rapaz! Não sabe o que é não?
E desligou o telefone indignado. Por essa o Patinhas da imprensa falada não esperava!
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domingo, 5 de abril de 2009
A vinda de Arraes ao município de Solidão ficou na história
Certo dia Irapuam Nascimento, filho do saudoso comerciante Antonio Tota inventou de fazer um time de futebol de salão e marcou um jogo contra uma equipe de Solidão. Na época seu pai estava no auge em relação às vendas na sua loja comercial e possuía o carro mais novo da cidade, uma Belina Del Rei. O uniforme do time de Irapuam foi comprado no shoping, os coitados dos atletas do time não sabiam nem pra lado ficava o Recife, imagine marcas de material Topper e Rainha.
Pois bem, o time saiu da cidade por vota das 18 h por conta da estrada que era ruim que só a palavra teje preso. Ocorre que, na hora em que Irapuam entrou na estrada de Solidão, outros dois veículos coincidentemente o seguiram até a entrada da cidade da santa. A poeira tapava as estradas e no interior do veículo um fedor de suvaqueira e um bafo de leão da desgraça.
O que os jogadores não sabiam é que naquele dia o Governador Miguel Arraes estava sendo esperado por vários prefeitos da região para uma inauguração de energia. Tinha autoridade de toda espécie. Faixa por todo lado agradecendo a visita de Arraes e uma tonelada de fogos pra soltar na hora da chegada do mito pernambucano.
Meu amigo, na hora em que o clarão dos faróis tomados pela poeira bateu de frente com a entrada da cidade de Solidão, um puxa-saco gritou: - corre se apronta pra soltar os fogos que o Ilustre Governador vem aí! Chama as artoridades pra receber o homi! Foi um corre-corre da boba serena. A cerca de uns quinze metros da entrada os jogadores avistaram a multidão, aí um deles disse a Irapuam: - rapaz nós tamo cum prestígio arretado oia o povo esperando a gente. Eu acho que isso é um jogo festa, porque tu num disse Irapuam? Também hoje eu tiro a barriga da misera!
Nisso ouviram a pipoqueira que fogos e os aplausos do povo. Num carro de som o locutor anunciava: - Registramos a chegado do Governador de Pernambuco doutor Miguel Arraes Alencar e sua comitiva! Portanto convidamos as autoridades para dar os votos de boas vindas. Todos se dirigiram ao carro, aí foi quando Irapuam e sua turma desembarcou da Belina sem camisa e perguntando: - onde é a quadra? O time chegou, podem nos acompanhar e obrigado pela recepção, nós vamos fazer o mesmo no jogo de volta!
Aí um camarada gritou: - Houve um engano, essa não é a comitiva do Governador, é um time de futebol do filho de seu Antonio Tota, pede para o locutor falar no carro de som. Quando o locutor anunciou a coisa no microfone, o pessoal caiu na gaitada. Mas o puxa-saco ficou apavorado porque não tinha mais aonde arrumar fogos pra soltar para o Governador. E só não chamou os atletas de Irapuam de santo: - acha dessa mulecada vim fazer uma marmota da mulesta dessa justamente hoje na vinda de Arraes. Vou dizer ao pai dele segunda-feira na loja!
Este causo foi verdadeiro e ficou gravado na memória do povo de Solidão.
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sábado, 4 de abril de 2009
Marconi Edson tá arretado com nota publicada em nosso blog
Nem bem Pinta Silva fechou o bico, Marconi desceu a rampa da Praça Arruda Câmara com o cachorro da molesta nos couros pra tirar o assunto a limpo. Municiado com uma cópia do conto na mão, Marconi pediu que tirasse a nota do ar, pois caso contrário iria mover uma ação contra o blog por danos morais. Imediatamente liguei para Maya que sem encontrava em Serra Talhada e passei o telefone para Edson. Meu amigo, Maya caiu na gaitada e Marconi ficou vermelho que só um pimentão, fumando numa telha dizendo que ia processar os autores do conto, segundo ele mentiroso.
“Eu não me passaria pra isso não Itamar, tua acha que eu ia abandonar a rádio e chegar gritando daquele jeito? Não vá em conversa de Maya e Aldo não que eles não assumem nada. Quem vai se lascar na justiça é você. Eu já estou cheio dessas molecagens. Eles incorporam os personagens safados que eles inventam e só acham que fica engraçado com o meu nome. Se colocar qualquer outra pessoa parece que fica sem graça. Vão se danar! Tire isso daí se não vou lhe lascar todinho na justiça”, concluiu.
Nós atendemos ao pedido do amigo Marconi e tiramos à nota do ar. O homi tá uma fera rapaz, ainda mais com Maya tirando ele do sério no telefone. Edson é uma pessoa amiga e gosto demais da pessoa dele.
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quinta-feira, 2 de abril de 2009
O voto inesquecível do ex-vereador Zé Ioní
Os vereadores discutiam a aprovação de um Projeto de Lei apresentado pelo Executivo. Ele tinha a mania de baixar a cabeça e ficar escrevendo não sei lá o quê, porque o danado não é tão afinado com a leitura, principalmente com a escrita.
Iniciou-se a votação e Zé Ioní não estava nem aí pra situação. Continuou rabiscando um pequeno pedaço de papel. Depois de alguns pares terem votado, chegou à vez do autor da conhecida frase: “renovação sé em pneu de caminhão”. Logo o presidente da Casa indagou: - vereador José Ioní a favor ou contra o projeto?
Atordoado ele levantou a cabeça e sem norte algum respondeu em cima da bucha:
- Homi essa Câmara é iguá a uma poica que aonde vai os bacurins vão atrás, por isso eu acompanho o voto dos companheiros que me antecederam, não sei qual foi à posição deles. Foi gargalhada pra todo lado no recinto da Casa Monsenhor Arruda Câmara.
O projeto havia sido apresentado pelo executivo, na época situação, porém a oposição havia votado contrária segundos antes de Zé Ioní se posicionar. Quando viu a bancada de situação de cara feia pra seu lado e a oposição rindo a toa, Ioní usou o microfone e perguntou ao presidente:
- Meu patrão, me responda uma coisa, eu votei a favor de quem, da situação ou oposição? Porque os amigos aí estão com a cara de quem comeu e não gostou. Parece que tão é com dor de barriga. Oxe!
Aí o presidente retrucou: - não sei vereador, você deveria prestar mais atenção nos assuntos da sessão, isso não é a primeira vez que Vossa Excelência engole mosca.
Zé Ioní de uma forma descontraída retrucou: - eu engoli mosca. Fala sério!
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